A notícia do crescimento de 20% do Grupo Stefanini no primeiro trimestre de 2026, com a Inteligência Artificial (IA) e a expansão global como motores, não é apenas um indicativo de sucesso para uma das maiores empresas brasileiras de tecnologia; ela serve como um poderoso barômetro das transformações em curso na economia global. Para CFOs, controllers e diretores financeiros, este dado transcende o simples reporte financeiro, apontando para um cenário onde a digitalização e a globalização redefinem as fronteiras de valor, receita e, inescapavelmente, de tributação.
O que isso significa na prática para a gestão fiscal
O avanço da IA e a expansão internacional trazem consigo um conjunto complexo de desafios e oportunidades fiscais. A natureza intangível da IA e dos serviços digitais dificulta a determinação do local de geração de valor, impactando regras de transfer pricing, a configuração de estabelecimento permanente e a aplicação de tributos sobre serviços digitais (DSTs) que se proliferam globalmente. A expansão para novos mercados, por sua vez, exige não apenas o domínio da legislação fiscal local, mas também uma gestão sofisticada de fluxos financeiros, repatriação de lucros e a otimização da carga tributária internacional. A Stefanini, ao abraçar essa direção, mostra que a eficiência fiscal deixou de ser um mero custo e tornou-se um pilar estratégico para a competitividade.
Impacto direto para empresas e a necessidade de proatividade
Para sua empresa, independentemente do setor, a mensagem é clara: as bases da gestão fiscal tradicional estão sendo erodidas. A adoção de IA e a digitalização de operações, mesmo que interna, podem alterar a caracterização de bens e serviços, a localização de ativos intangíveis e a própria lógica de apuração de impostos. A ausência de um planejamento tributário robusto e adaptado a estas novas realidades pode resultar em contingências fiscais significativas, autuações por parte das autoridades, bitributação e perda de competitividade. É crucial reavaliar como os investimentos em tecnologia e a estratégia de internacionalização da sua empresa se alinham com o cenário tributário global em constante mutação.
O que sua empresa deve fazer agora
Diante deste cenário, sua equipe financeira e jurídica precisa agir proativamente. Em primeiro lugar, conduza uma revisão estratégica de sua estrutura fiscal atual, identificando vulnerabilidades e oportunidades relacionadas à digitalização e internacionalização. Avalie a aplicabilidade de incentivos fiscais para P&D e inovação (como a Lei do Bem no Brasil) para investimentos em IA. Em segundo lugar, invista em tecnologia para a gestão fiscal, utilizando ferramentas que permitam a automação do compliance, a análise preditiva de riscos e a gestão de dados fiscais complexos em múltiplas jurisdições. Por fim, fortaleça sua equipe com expertise em tributação internacional e economia digital, seja através de capacitação interna ou consultoria especializada, garantindo que sua empresa esteja preparada para navegar pelas complexidades da tributação de intangíveis e transações transfronteiriças. A Stefanini demonstra que o futuro pertence a quem se adapta e inova, inclusive na gestão de seus tributos.
O sucesso na era da IA e da globalização dependerá não apenas da capacidade de inovar em produtos e serviços, mas também da agilidade em adaptar a estratégia fiscal para suportar e otimizar essas inovações. A proatividade na gestão tributária, alinhada à estratégia de negócios, será o diferencial competitivo para as empresas que buscam prosperar neste novo paradigma.