A notícia de que o Sport Club Corinthians Paulista multou o atleta Memphis Depay por incluir imagens do Parque São Jorge em chamas em seu clipe musical, ainda que fictícias, transcende o universo esportivo e assume um caráter de estudo de caso para o ambiente corporativo. Longe de ser um mero incidente de vestiário, este episódio realça a complexa teia de riscos reputacionais, contratuais e financeiros que empresas de médio e grande porte enfrentam na era digital, onde a percepção pública e a gestão de marca são ativos intangíveis de valor inestimável.
O que isso significa na prática
Para CFOs, controllers e diretores financeiros, o incidente serve como um espelho para a necessidade premente de uma governança corporativa à prova de falhas. A ação do Corinthians demonstra uma postura ativa na proteção de sua marca e imagem institucional, que vai além do campo de jogo. Na prática, este caso sinaliza que a empresa deve ter mecanismos claros para definir o uso aceitável de sua marca, instalações e símbolos por terceiros — sejam eles colaboradores, parceiros comerciais ou figuras públicas associadas. A multa é a materialização da quebra de um protocolo, que, se não fosse endereçada, poderia abrir precedentes para a desvalorização do patrimônio intangível do clube.
As implicações financeiras diretas vão desde a gestão da multa em si (que, do ponto de vista tributário, geralmente não é dedutível como despesa operacional para o infrator e pode ter tratamentos diversos para quem a aplica) até os custos muito mais elevados de um potencial dano à marca. Um deslize na imagem pode afetar patrocínios, relações com investidores, vendas de produtos e serviços, e até mesmo a captação de talentos. É um risco que precisa ser mapeado e quantificado, pois impacta diretamente a linha de fundo e a valorização da empresa no mercado. A diligência na elaboração de contratos de imagem e licenciamento, com cláusulas explícitas sobre conduta e uso da marca, torna-se um pilar financeiro tão importante quanto a gestão de ativos tangíveis.
O que sua empresa deve fazer agora
Diante de cenários como o exemplificado pela situação de Depay, sua empresa deve agir proativamente. Primeiramente, audite e revise todos os contratos com cláusulas de imagem, seja com executivos, porta-vozes, influenciadores ou parceiros estratégicos. Garanta que as condições de uso da marca, penalidades por má conduta e mecanismos de rescisão sejam claras e robustas. Em segundo lugar, fortaleça suas políticas internas de compliance e ética, estendendo-as para o ambiente digital e redes sociais. Todos os colaboradores devem estar cientes dos limites e responsabilidades ao representar a empresa, mesmo que indiretamente.
Em terceiro lugar, invista em treinamento contínuo. A conscientização sobre a importância da marca e os riscos de imagem deve ser parte da cultura organizacional. Por fim, estabeleça um plano de gestão de crise. Ter um protocolo claro para responder a incidentes de imagem minimiza os danos e protege o valor da empresa. A proatividade jurídica e financeira na prevenção de riscos reputacionais é um investimento estratégico que evita perdas significativas a longo prazo.
A proteção da imagem corporativa e do valor da marca é um desafio contínuo, potencializado pela velocidade da informação. A lição de Depay e do Corinthians é que a supervisão e o cumprimento rigoroso de políticas e contratos são fundamentais não apenas para evitar multas, mas para salvaguardar a sustentabilidade e o crescimento da empresa no ambiente de negócios cada vez mais escrutinado.