A recente análise da diretora de macroeconomia do UBS Global Wealth Management para o Brasil, Solange Srour, ressoa como um chamado de atenção crítico para o cenário fiscal brasileiro. Ao alertar que as "regras fiscais ruíram" e o país caminha para uma crise em 2027 sem reformas substanciais, Srour não apenas diagnostica um problema de arcabouço, mas, de forma mais contundente, aponta para a ausência de políticas fiscais críveis e factíveis. Este é um ponto crucial: a questão vai além da mecânica de uma regra fiscal; reside na percepção de compromisso e sustentabilidade. A deterioração da confiança na trajetória da dívida pública e na capacidade do governo de gerir suas contas impacta diretamente o custo de capital e a previsibilidade econômica, pilares para qualquer decisão de investimento de médio e longo prazo no ambiente corporativo.
O que isso significa na prática
Para os gestores financeiros de médias e grandes empresas, as implicações são multifacetadas e severas. Primeiramente, a elevação da incerteza fiscal se traduz em um custo de capital mais alto, tornando o crédito mais caro e escasso, e pressionando as taxas de juros básicas (Selic) para cima por mais tempo. Isso onera o endividamento, afeta a valoração de projetos e dificulta a captação de recursos. Em segundo lugar, a pressão por receitas levará inevitavelmente a um ambiente tributário ainda mais volátil e complexo. É plausível esperar novas iniciativas de arrecadação, revisões de benefícios fiscais e um aumento da fiscalização, exigindo uma reavaliação constante das estratégias de planejamento tributário e um compliance robusto para mitigar riscos.
O que sua empresa deve fazer agora
Diante deste cenário, a postura proativa é indispensável. Recomenda-se uma revisão aprofundada do planejamento tributário e financeiro, simulando cenários macroeconômicos adversos e identificando vulnerabilidades. Avalie a otimização de sua estrutura de capital, buscando fontes de financiamento com menor exposição à volatilidade e fortalecendo o gerenciamento de caixa. O monitoramento contínuo das discussões políticas e econômicas, especialmente aquelas ligadas à reforma tributária e à gestão fiscal, é vital. Além disso, fortaleça a área de compliance, antecipando-se a possíveis alterações regulatórias e fiscais que possam surgir como medidas de ajuste. Não se trata apenas de reagir, mas de se preparar para navegar em águas turbulentas.
O alerta do UBS não é um vaticínio, mas um convite urgente à ação estratégica. CFOs, controllers e diretores financeiros têm a responsabilidade de traduzir os riscos macroeconômicos em planos de contingência concretos, protegendo o valor da empresa e garantindo sua sustentabilidade. A capacidade de antecipar e adaptar-se às mudanças será o diferencial em um ambiente de crescente complexidade e incerteza fiscal, transformando desafios em oportunidades para as organizações mais preparadas e resilientes.
Fonte: https://www.infomoney.com.br/economia/crise-fiscal-2027-divida-pib-ubs/