A discussão em torno da Reforma Tributária tem focado amplamente nos impactos sobre bens e serviços de consumo. No entanto, um aspecto que merece a atenção estratégica de CFOs, controllers e diretores financeiros é a potencial elevação do custo das passagens aéreas. A proposta de unificação de impostos como PIS, COFINS, IPI, ICMS e ISS em um Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e uma Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) visa simplificar o sistema, mas a transição de regimes específicos ou alíquotas reduzidas para uma alíquota padrão mais elevada pode resultar em um aumento da carga tributária sobre os serviços de transporte aéreo. Sem a garantia de créditos plenos ao longo da cadeia de consumo final para o setor, esse incremento se traduz em custos mais altos para quem contrata esses serviços, diretamente impactando as corporações.
O que isso significa na prática
A concretização de um aumento nos custos das passagens aéreas, impulsionado pelas novas alíquotas do IBS/CBS, implica um efeito cascata que transcende a simples elevação do preço final. Para as empresas, significa uma pressão adicional sobre o orçamento de viagens corporativas, um item que já é significativo em muitas organizações. A logística de deslocamento de equipes para projetos, reuniões de negócios ou eventos pode se tornar proibitiva, impactando a capacidade de expansão e a manutenção da competitividade em mercados geograficamente dispersos. Além disso, a potencial redução da conectividade regional, devido à desincentivação de rotas menos lucrativas, pode comprometer a eficiência operacional e a agilidade de resposta de companhias com filiais ou clientes em diversas localidades.
Para empresas com equipes de vendas e suporte técnico itinerantes, consultorias, auditorias e organizações que dependem fortemente de deslocamentos de executivos, o impacto será direto e substancial. Orçamentos de viagens corporativas precisarão ser revistos, com potencial realocação de recursos que poderiam ser investidos em outras áreas estratégicas. Empresas que utilizam o transporte aéreo para a logística de cargas de alto valor agregado ou de perecíveis também sentirão o aumento, que será repassado ao custo final dos produtos. A dificuldade em gerir esses custos pode levar a uma busca por alternativas, como maior uso de videoconferências ou a reavaliação da necessidade de certas viagens, afetando a dinâmica de relacionamento com clientes e parceiros.
O que sua empresa deve fazer agora
Diante deste cenário de incertezas e potenciais elevações de custos, é imperativo que as empresas adotem uma postura proativa. O primeiro passo é iniciar um mapeamento detalhado dos gastos atuais com viagens corporativas e projetar cenários de impacto considerando diferentes alíquotas do IBS/CBS. Isso permitirá uma análise precisa do potencial aumento e a criação de planos orçamentários contingenciais. Além disso, é crucial reavaliar políticas internas de viagens, buscando otimização, como a antecipação de compras, negociação de acordos corporativos com companhias aéreas e o uso mais intensivo de ferramentas de comunicação remota e colaboração. A automação e a digitalização de processos podem reduzir a necessidade de deslocamentos físicos para tarefas administrativas, liberando recursos para viagens estratégicas.
Recomendamos que as equipes financeiras e tributárias trabalhem em conjunto para simular os impactos da reforma especificamente para a sua estrutura de custos de transporte aéreo. Monitore de perto a evolução da legislação, participando ativamente de discussões com associações setoriais. Considere a possibilidade de estruturar contratos com fornecedores de serviços aéreos que permitam flexibilidade e renegociação em caso de mudanças abruptas na carga tributária. A análise de alternativas logísticas e a diversificação de modais, quando aplicável, também devem fazer parte do planejamento estratégico para mitigar riscos e manter a eficiência operacional.
Em um horizonte de longo prazo, a Reforma Tributária representa um convite à reinvenção para as empresas brasileiras. Aquelas que conseguirem antecipar e adaptar suas estratégias de custos e logística de viagens estarão em posição mais vantajosa para manter sua competitividade e eficiência. A agilidade na adaptação, a busca por inovações e a gestão fiscal inteligente serão pilares fundamentais para navegar por este novo ambiente tributário, transformando desafios em oportunidades de otimização e diferenciação no mercado.
Fonte: https://www.contabeis.com.br/noticias/77490/reforma-tributaria-pode-encarecer-passagens-aereas/