A recente sondagem que revela que 24% das empresas brasileiras ainda não conseguem mensurar o impacto da Reforma Tributária (Emenda Constitucional nº 132/2023) não é apenas um dado estatístico; é um sinal de alerta crítico. Enquanto o Brasil avança na regulamentação do novo sistema de imposto sobre valor agregado (IVA Dual), com a CBS e o IBS, a falta de preparo significa, em essência, uma exposição desnecessária a riscos e a perda de oportunidades cruciais. A Reforma não é um evento isolado, mas um processo de transformação profunda que redefine a base tributária do consumo, afetando desde a precificação de produtos e serviços até a estrutura das cadeias de suprimentos e as decisões de investimento.
O que isso significa na prática
Essa parcela significativa de empresas que ainda está à deriva no cenário da Reforma Tributária corre o sério risco de sofrer desvantagens competitivas irreparáveis. A inação pode se traduzir em: (i) perdas financeiras diretas, pela não identificação de créditos tributários ou pela aplicação de alíquotas equivocadas; (ii) erosão da margem de lucro, decorrente de uma precificação inadequada que não absorve as novas bases de cálculo; (iii) ineficiência operacional, ao não reestruturar processos para otimizar o fluxo do novo imposto; e (iv) falhas de compliance, com a complexidade da transição e a necessidade de adaptação de sistemas e equipes. Para CFOs e controllers, essa situação é uma ameaça direta à sustentabilidade do negócio e à capacidade de planejamento estratégico de longo prazo.
O impacto é vasto e transversal, afetando desde empresas de serviços, que verão mudanças significativas na apuração e recolhimento, até o agronegócio e a indústria, com reavaliação de regimes especiais, frete e logística. Setores como o financeiro e de seguros, mesmo que fora da tributação direta do IVA, sentirão os efeitos indiretos nas suas relações comerciais e na demanda por seus produtos. A falta de análise aprofundada impede que as empresas modelem cenários, identifiquem oportunidades de otimização fiscal e preparem suas estruturas para o período de transição, que será complexo e duradouro, estendendo-se até 2033.
O que sua empresa deve fazer agora
É imperativo que as empresas que se enquadram nesse grupo dos 24% (e mesmo aquelas que já iniciaram a análise) intensifiquem seus esforços. A primeira ação é um diagnóstico tributário aprofundado, simulando os impactos da CBS e do IBS em todas as operações da companhia. Isso exige a colaboração entre as áreas financeira, contábil, jurídica, de TI e operacional. Em seguida, é crucial realizar um mapeamento detalhado das cadeias de valor, identificando pontos de otimização e possíveis gargalos. A tecnologia desempenha um papel fundamental: é preciso iniciar o processo de atualização dos sistemas ERP e de gestão fiscal, garantindo que estejam aptos a lidar com as novas regras de apuração, crédito e declaração.
Além das simulações e ajustes tecnológicos, sua empresa deve investir em capacitação interna das equipes e, quando necessário, buscar o apoio de consultoria especializada. Avaliar a oportunidade de reorganizações societárias ou de ajustes nos modelos de negócio pode ser vital para minimizar o impacto negativo e maximizar os benefícios. Acompanhar ativamente os debates e a regulamentação infraconstitucional é igualmente essencial, pois muitos detalhes críticos ainda serão definidos. A hora de agir é agora, não quando a nova legislação já estiver em pleno vapor. A proatividade nesse momento definirá a resiliência e a competitividade da sua organização no futuro panorama tributário brasileiro.
Em síntese, a Reforma Tributária representa uma mudança de paradigma. Para as empresas, “não saber” não é uma opção. Aqueles que entenderem e se adaptarem rapidamente sairão na frente, enquanto a inércia pode condenar a empresa a uma posição de desvantagem permanente. O futuro da gestão fiscal e financeira está em jogo, e a capacidade de antecipar e planejar será o diferencial estratégico para a próxima década.
Fonte: https://www.contabeis.com.br/noticias/78908/24-das-empresas-nao-sabem-impacto-da-reforma-tributaria/