A recente Emenda Constitucional nº 132/2023, que consolida a Reforma Tributária sobre o consumo no Brasil, não é um tema para o futuro distante. Embora a transição completa se estenda até 2032, a mensagem da Folha de Londrina, via SESCAP-LDR, é um alerta fundamental: o segundo semestre de 2026 representa o marco inicial da implementação e exige atenção e ação imediatas. Será nesse período que veremos a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) começarem a ser cobrados em caráter de teste e, posteriormente, em concorrência com os tributos atuais (PIS/COFINS, IPI, ICMS e ISS). Este não é apenas um período de adaptação; é o início de uma coexistência complexa que irá redefinir a paisagem tributária das empresas.
O que isso significa na prática
Para CFOs, controllers e diretores financeiros, 2026 não é um ano para iniciar o planejamento, mas para colher os primeiros frutos de uma estratégia já implementada. A introdução do sistema dual – com as regras atuais convivendo com as novas CBS e IBS – trará um desafio significativo de gestão. Haverá, inicialmente, um aumento da complexidade e da carga administrativa. Empresas terão de lidar com dois regimes tributários distintos, com bases de cálculo, alíquotas e mecanismos de crédito potencialmente diferentes, exigindo sistemas robustos e equipes altamente capacitadas. A formação de preços, a gestão de fluxo de caixa e a análise de rentabilidade precisarão ser revisadas à luz dessa transição, que impactará diretamente a competitividade e a eficiência operacional.
O impacto direto se manifestará em diversas frentes. Primeiramente, nos sistemas de gestão (ERP) e softwares fiscais, que precisarão ser atualizados ou substituídos para acomodar as novas regras, NF-e, regimes de apuração e obrigações acessórias. Em segundo lugar, no fluxo de caixa, dada a mudança nas regras de créditos tributários e nos momentos de recolhimento. Setores com longos ciclos de produção ou alta intensidade de capital precisarão de simulações detalhadas. Terceiro, na formação de preços e na cadeia de suprimentos. A eliminação da cumulatividade e a tributação no destino, princípios do novo IVA dual, podem alterar significativamente os custos de aquisição e venda, redistribuindo a carga tributária entre os elos da cadeia. Finalmente, o compliance e a governança tributária serão postos à prova. A janela de transição é também uma janela de risco para autuações e questionamentos se a empresa não estiver adequadamente preparada para interpretar e aplicar as novas normas.
O que sua empresa deve fazer agora
A preparação deve ser multifacetada e proativa. Não espere a regulamentação completa para agir. Inicie um projeto de impacto da Reforma Tributária. Isso inclui: 1. Mapeamento detalhado de todas as operações de compra e venda de bens e serviços, identificando a incidência dos tributos atuais e projetando como se comportariam sob o CBS/IBS. 2. Revisão tecnológica, avaliando a capacidade atual do seu ERP e sistemas satélites para absorver as mudanças e iniciando orçamentos para customizações ou novas aquisições. 3. Capacitação interna, promovendo treinamentos intensivos para as equipes fiscal, contábil, jurídica, TI e comercial sobre os fundamentos da EC 132/2023 e suas prováveis regulamentações. 4. Análise de cenários e simulações, utilizando ferramentas e consultoria especializada para projetar os impactos financeiros (margens, fluxo de caixa, rentabilidade) em diferentes estratégias. 5. Engajamento com a cadeia de valor, dialogando com fornecedores e clientes sobre como as mudanças os afetarão mutuamente.
Em suma, a transição para a Reforma Tributária não é um evento isolado em 2026, mas um processo contínuo que já começou. As empresas que encararem este desafio com seriedade e proatividade desde já terão uma vantagem competitiva significativa, minimizando riscos e identificando oportunidades de otimização fiscal. A inação, por outro lado, pode resultar em desvantagem competitiva, ineficiências operacionais e passivos tributários indesejados. É hora de transformar a incerteza em estratégia.