A crescente sofisticação dos golpes financeiros é uma realidade inegável, e o universo dos precatórios, com sua intrínseca complexidade e valores significativos, tornou-se um alvo preferencial para criminosos. A notícia que alerta sobre fraudes onde indivíduos se passam por advogados para enganar aqueles que aguardam pagamentos de ações judiciais ou precatórios, embora pareça um problema individual, reflete uma vulnerabilidade sistêmica que gestores financeiros de médias e grandes empresas não podem ignorar. Este cenário exige uma análise aprofundada, pois tais fraudes podem se estender para o ambiente corporativo, seja na gestão de passivos judiciais, na aquisição de créditos ou na própria operação de grandes litígios que geram esses ativos.
O que isso significa na prática para sua empresa
Para CFOs, controllers e diretores financeiros, o alerta sobre fraudes em precatórios transcende a preocupação com o cidadão comum. No contexto corporativo, as implicações são diretas e severas. Primeiramente, empresas que detêm grandes volumes de precatórios, seja por direito próprio ou via cessão de crédito, estão expostas ao risco de serem alvo de golpistas que buscam informações ou tentam interceptar pagamentos. Em segundo lugar, a reputação da companhia pode ser seriamente comprometida caso seu nome seja indevidamente associado a esquemas fraudulentos, mesmo que como vítima. Adicionalmente, a gestão ineficiente ou a falta de protocolos rigorosos no departamento jurídico e financeiro para lidar com comunicações sobre ações judiciais e precatórios abrem brechas para perdas financeiras consideráveis e desvios de recursos.
O que sua empresa deve fazer agora
Diante dessa ameaça, é imperativo que as empresas adotem uma postura proativa e revisitem suas defesas. A primeira linha de defesa é o reforço dos controles internos e a educação contínua das equipes. Implementar um protocolo rigoroso para a verificação de todas as comunicações relacionadas a precatórios e processos judiciais, exigindo a confirmação via canais oficiais (advogados parceiros, sistemas do tribunal, procuradorias), é fundamental. Além disso, estabelecer uma política clara de que nenhuma informação ou pagamento será solicitado por meios informais (WhatsApp não corporativo, e-mails genéricos) sem dupla autenticação e validação por múltiplos níveis hierárquicos. Para empresas que operam com cessão de crédito, a due diligence deve ser ainda mais aprofundada, verificando a autenticidade de todos os documentos e a idoneidade das partes envolvidas. Manter uma assessoria jurídica tributária e contenciosa de confiança é um ativo inestimável, capaz de fornecer a validação necessária e agir como um filtro contra tentativas de fraude.
A proteção dos ativos corporativos e a integridade financeira são responsabilidades indelegáveis da alta gestão. A ameaça das fraudes em precatórios é um lembrete contundente de que a vigilância e a adaptação são constantes no cenário de risco atual. Investir em compliance robusto, tecnologia de segurança da informação e, acima de tudo, em uma cultura de ceticismo saudável e verificação exaustiva é a melhor estratégia de longo prazo. As fraudes evoluem, e a capacidade da sua empresa de antecipar e neutralizar essas ameaças determinará sua resiliência e a segurança de seu patrimônio frente a um ambiente jurídico-financeiro cada vez mais desafiador. Não encare a segurança como um custo, mas como um investimento essencial na sustentabilidade do negócio.
Fonte: https://www.contabeis.com.br/noticias/76616/golpes-com-precatorios-saiba-como-evitar-fraudes/