O cenário do comércio eletrônico no Brasil, apesar de sua notável expansão nos últimos anos, ainda é visto por líderes do setor como tendo uma penetração "muito pequena". Essa é a perspectiva de Sérgio Fischer, CEO da Log Commercial Properties, gigante no mercado de galpões e condomínios logísticos, que anuncia um ambicioso plano de investimento de R$ 4 bilhões até 2028. Essa visão, longe de ser um alerta de estagnação, aponta para um vasto potencial de crescimento ainda inexplorado, demandando das empresas uma reavaliação profunda de suas cadeias de suprimentos e, sobretudo, de suas estratégias fiscais e logísticas para os próximos anos.
O que isso significa na prática
Para CFOs e diretores financeiros, a afirmação do CEO da Log ressoa como um sinal claro de que a infraestrutura logística do país continuará sendo um pilar essencial para a competitividade. A expectativa de um crescimento contínuo do e-commerce implica não apenas em maior volume de vendas digitais, mas também em complexidade crescente na gestão de estoques, distribuição e last mile. As empresas que ignorarem essa tendência correm o risco de perder eficiência, elevar custos operacionais e, consequentemente, comprometer suas margens. O investimento robusto de empresas como a Log reforça a demanda por espaços otimizados e conectados, alinhando-se à necessidade das corporações de estarem mais próximas de seus mercados consumidores.
Do ponto de vista tributário, a expansão logística para atender ao e-commerce em ascensão exige uma análise fiscal meticulosa. A movimentação de mercadorias entre diferentes estados e municípios intensifica os desafios relacionados à guerra fiscal, substituição tributária (ST), diferenças de alíquotas de ICMS e à apuração de PIS/COFINS sobre operações complexas. A otimização de créditos tributários, a correta classificação fiscal dos produtos e a observância de regimes especiais são cruciais para evitar passivos fiscais e garantir a saúde financeira das operações. Além disso, a presença em múltiplos centros de distribuição pode impactar a gestão de incentivos fiscais regionais, que precisam ser mapeados e aproveitados de forma estratégica.
O que sua empresa deve fazer agora
Diante deste cenário, sua empresa deve iniciar um diagnóstico detalhado de sua estrutura logística e fiscal. Considere os seguintes passos: (1) Reavaliar a malha logística atual: Analise a viabilidade de novos centros de distribuição em regiões estratégicas, avaliando não só custos de frete e proximidade do consumidor, mas também o impacto tributário de cada localização. (2) Otimizar a gestão tributária de operações logísticas: Invista em tecnologia e em consultoria especializada para garantir a conformidade fiscal e o máximo aproveitamento de créditos e benefícios fiscais, especialmente em operações interestaduais e com múltiplos intervenientes. (3) Planejamento de investimentos em infraestrutura: Considere modelos como o build-to-suit ou parcerias com operadores logísticos que já possuem a expertise e a estrutura necessária, minimizando riscos e otimizando o capital de giro. A proatividade na adaptação e otimização dessas frentes será um diferencial competitivo substancial no mercado em expansão.
A percepção de "pequena penetração" do e-commerce não é um convite à complacência, mas sim um chamado à ação estratégica. A trajetória de crescimento do setor é inegável, e as empresas que se anteciparem nas adequações logísticas e fiscais estarão mais bem posicionadas para capturar essa expansão, transformando desafios operacionais e tributários em oportunidades de ganho de mercado e rentabilidade no longo prazo.