A recente pesquisa Quaest que aponta uma virtual divisão na avaliação do governo – com 37% de reprovação e 36% de aprovação – não é apenas um dado estatístico para analistas políticos. Para CFOs, controllers e diretores financeiros, essa fotografia da opinião pública brasileira é um sinal inequívoco de um cenário de crescente polarização e instabilidade, com profundas implicações para o ambiente de negócios. Um governo com apoio tão fracionado enfrenta dificuldades intrínsecas em construir consensos para pautas complexas e reformas estruturantes, o que se traduz em imprevisibilidade regulatória e fiscal.
O que isso significa na prática
Essa equalização das forças políticas, onde o governo não possui uma margem confortável de aprovação, tende a gerar um ambiente de elevada incerteza legislativa. Reformas cruciais, como a complementação da Reforma Tributária ou as propostas de ajuste fiscal, podem encontrar barreiras significativas no Congresso Nacional. A dificuldade de aprovação de pautas consideradas essenciais para a estabilidade econômica pode levar a decisões políticas reativas, muitas vezes pautadas por pressões populistas ou necessidades eleitorais, em detrimento de soluções fiscais e econômicas de longo prazo. Isso impacta diretamente a precificação de ativos, o custo de capital e a atração de investimentos.
Para as empresas, o impacto direto é multifacetado. No âmbito tributário, a imprevisibilidade sobre a velocidade e o teor das regulamentações da Reforma Tributária, além da potencial criação de novas fontes de arrecadação, exigirá das equipes financeiras uma capacidade de modelagem de cenários sem precedentes. No aspecto orçamentário e fiscal, a pressão para equilibrar as contas públicas em um ambiente de baixa aprovação pode gerar cortes abruptos ou elevação de tributos, afetando diretamente o fluxo de caixa e a rentabilidade. Já no ambiente regulatório geral, a lentidão ou a fragmentação na aprovação de novas leis pode postergar ou inviabilizar projetos de investimento e expansão, especialmente em setores de infraestrutura ou com alta dependência de licenças governamentais.
O que sua empresa deve fazer agora
Diante deste panorama, a palavra de ordem é proatividade na gestão de riscos. É fundamental intensificar o monitoramento do cenário político, não apenas acompanhando a agenda governamental e legislativa, mas também analisando a evolução da opinião pública e os movimentos dos diversos atores políticos. Sua empresa deve investir em modelagem de cenários financeiros e fiscais, contemplando diferentes trajetórias para a economia e a legislação, permitindo uma resposta ágil a quaisquer mudanças. Mantenha um diálogo constante com sua assessoria jurídica e tributária, para entender as nuances de cada proposta e preparar planos de contingência.
A ação concreta para os executivos financeiros é fortalecer a resiliência operacional e financeira. Isso inclui a revisão de estruturas de capital, buscando maior flexibilidade e otimização do endividamento, e a manutenção de reservas estratégicas. Avalie a diversificação de mercados e fornecedores para mitigar riscos específicos do ambiente doméstico. No longo prazo, a capacidade de antecipar e adaptar-se às volatilidades políticas e regulatórias será um diferencial competitivo. Empresas que investirem em inteligência política e robustez financeira estarão mais bem-posicionadas para navegar este período desafiador e aproveitar as oportunidades que, eventualmente, surgirem.
Fonte: https://www.infomoney.com.br/politica/quaest-37-avaliam-governo-lula-negativamente-36-positivamente/