A recente pesquisa Quaest sobre a disputa eleitoral em Pernambuco, que aponta a governadora Raquel Lyra com 44% das intenções de voto contra 36% de João Campos, transcende a mera fotografia política. Para o setor corporativo que opera ou planeja investir no estado, este levantamento serve como um termômetro crucial para antecipar a continuidade ou a potencial reorientação de políticas públicas, especialmente as de cunho fiscal e regulatório. Pernambuco, com sua relevância econômica no Nordeste, seja no polo industrial, logístico ou de serviços, tem um ambiente de negócios intrinsecamente ligado à estabilidade e previsibilidade de sua gestão pública.
O que isso significa na prática
A manutenção da vantagem de Raquel Lyra, se confirmada, sugere uma inclinação à continuidade da agenda econômica e fiscal em curso. Isso significa que as empresas podem projetar um cenário de relativa estabilidade nas políticas de incentivos fiscais e regimes especiais que caracterizam a gestão atual. Por outro lado, a candidatura de João Campos, mesmo em desvantagem, representa uma alternativa que pode redefinir prioridades, impactando áreas como investimentos em infraestrutura e o alinhamento com a agenda federal, com potenciais repercussões na desoneração de setores específicos ou na criação de novas bases tributárias locais.
Para CFOs e diretores financeiros, essa perspectiva de continuidade ou mudança iminente exige uma análise aprofundada. Empresas com operações significativas em Pernambuco devem revisitar seus planejamentos tributários de longo prazo, considerando a estabilidade dos benefícios fiscais regionais e a manutenção de possíveis programas de desenvolvimento setorial. A previsibilidade fiscal é um ativo valioso; qualquer alteração no panorama político pode exigir reavaliação de estruturas de custos, estratégias de precificação e até mesmo decisões de investimento em expansão ou realocação de plantas. Além disso, a pauta regulatória, especialmente em setores como energia, saneamento e logística, pode sofrer ajustes que demandarão atenção em termos de compliance e gestão de riscos.
O que sua empresa deve fazer agora
Diante deste cenário, a proatividade é fundamental. Sua empresa deve intensificar o monitoramento do quadro político e econômico de Pernambuco, não apenas no que tange às pesquisas eleitorais, mas também às propostas de governo que vêm sendo detalhadas pelos candidatos. É crucial que as equipes financeiras e jurídicas realizem análises de cenários, simulando os impactos de diferentes desfechos eleitorais nas obrigações tributárias, nos incentivos aplicáveis e no custo de compliance. O engajamento com associações de classe e a consulta a especialistas em direito tributário e regulatório local podem fornecer insights valiosos para antecipar movimentos e mitigar riscos.
Recomendamos, portanto, a criação de um grupo de trabalho interno – ou a designação de um responsável – para acompanhar de perto a evolução da disputa eleitoral e as plataformas dos candidatos, com foco especial nas propostas que afetam diretamente o ambiente de negócios e a carga tributária estadual. A capacidade de adaptação e a elaboração de planos de contingência serão diferenciais para proteger a performance financeira e a segurança jurídica da empresa no próximo ciclo de gestão em Pernambuco.
Em um país onde as decisões políticas estaduais têm um peso significativo na competitividade e no custo de se fazer negócios, manter uma postura estratégica e informada é mais do que uma boa prática; é uma necessidade. O resultado das urnas em Pernambuco definirá os rumos de uma economia pujante, e as empresas mais bem preparadas serão aquelas que souberem navegar pelas águas da política fiscal e regulatória com inteligência e antecipação.