A recente menção à visita à Caverna de Lascaux e suas inestimáveis pinturas rupestres, com centenas de milhares de anos, publicada por Cândido Bracher na Folha de S.Paulo, transcende a mera apreciação artística. Ela nos convida a uma reflexão profunda sobre a perenidade e a relevância dos fundamentos. Em um cenário corporativo cada vez mais volátil e complexo, com constantes alterações legislativas e pressões por conformidade, a 'lição de Lascaux' não poderia ser mais pertinente para a área fiscal-tributária. Não se trata de uma mudança factual em leis, mas de uma perspectiva transformadora sobre como abordamos a gestão fiscal: buscando a solidez e a visão de longo prazo em vez de soluções efêmeras.
O que isso significa na prática
Para CFOs e diretores financeiros, a analogia de Lascaux ressoa na necessidade de construir um arcabouço fiscal que resista ao tempo. Isso implica em ir além do cumprimento mínimo da legislação para focar em uma estratégia tributária robusta, ética e alinhada aos objetivos de longo prazo da empresa. Significa investir em governança tributária, mapeamento de riscos e na implementação de controles internos que não apenas evitem autuações pontuais, mas que garantam a sustentabilidade fiscal da organização diante de cenários econômicos e regulatórios imprevisíveis. A perenidade fiscal não é a ausência de mudanças, mas a capacidade de adaptar-se e manter a essência da conformidade e da otimização dentro de um arcabouço sólido.
O que sua empresa deve fazer agora
Diante desse cenário e inspirados pela longevidade de Lascaux, as empresas devem adotar uma abordagem proativa e estratégica em sua gestão fiscal. É fundamental transcender a mera reatividade e implementar práticas que solidifiquem a base tributária para as próximas décadas.
Primeiramente, revise e atualize sua matriz de riscos tributários, priorizando não apenas os riscos de curto prazo, mas aqueles que podem erodir a base fiscal da empresa no longo prazo. Em segundo lugar, invista em tecnologia fiscal e analytics, que permitam uma visão integrada e preditiva, transformando dados em inteligência para decisões mais assertivas e perenes. Terceiro, fomente uma cultura de compliance contínuo, envolvendo não só a equipe fiscal, mas todos os departamentos que geram informações tributárias. Por fim, estabeleça um comitê de governança tributária que discuta e valide as estratégias fiscais sob uma ótica de sustentabilidade e resiliência, garantindo que as 'pinturas' da sua empresa sejam tão duradouras quanto as de Lascaux.
A lição de Lascaux, no campo tributário, é um convite à reflexão sobre a importância de construir um legado, não apenas de lucros, mas de integridade e solidez fiscal. Em um mercado onde a agilidade é crucial, a perenidade se torna o diferencial estratégico. Empresas que compreendem e aplicam essa visão de longo prazo não apenas se blindam contra volatilidades, mas consolidam sua reputação e valor, garantindo que sua trajetória seja tão memorável e impactante quanto a arte milenar da caverna francesa.