Em meio ao acirramento do debate político e à corrida presidencial, a articulação das equipes econômicas dos principais candidatos emerge como um ponto focal de análise para o setor empresarial. O anúncio de sete novos integrantes para a equipe econômica do candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ), somando-se a figuras já conhecidas como Daniella Marques (ex-presidente da Caixa e coordenadora do núcleo de economia) e Adolfo Sachsida (ex-ministro de Minas e Energia e coordenador geral do plano econômico), é mais do que uma mera formalidade de campanha. Trata-se de um movimento estratégico que começa a desenhar os contornos de uma possível futura gestão, oferecendo os primeiros indícios sobre as prioridades e a filosofia econômica que podem pautar as políticas públicas a partir de 2027.
O que isso significa na prática
A composição de uma equipe econômica é um termômetro para as diretrizes que um eventual governo pretende implementar. A presença de nomes como Daniella Marques e Adolfo Sachsida sugere uma linha que pode transitar entre a busca por estabilidade fiscal, fomento ao crédito (com a experiência de Marques em bancos públicos) e, potencialmente, a continuidade de agendas de desburocratização e privatizações, dado o histórico de Sachsida e sua associação com a escola econômica de Paulo Guedes. Para o CFO e o controller, essa sinalização é crucial. Ela aponta para um cenário de possível revisão da máquina pública, com impactos diretos sobre o ambiente regulatório, a gestão de empresas estatais e, consequentemente, sobre o papel do Estado na economia e a dinâmica de mercado para o setor privado.
O impacto direto para as empresas reside na previsibilidade e na necessidade de adaptação estratégica. Se a linha liberal-conservadora se aprofundar, podemos antever discussões mais robustas sobre reformas, especialmente a tributária, visando à simplificação e, talvez, à redução da carga para setores produtivos. As empresas deverão estar atentas a possíveis alterações na legislação trabalhista, ambiental e setorial, que podem surgir em um esforço de atração de investimentos e aumento da competitividade. A coordenação do plano econômico por figuras com experiência em gestão pública e na academia pode indicar um esforço para construir um arcabouço sólido, mas que, por outro lado, pode gerar um período de incertezas até que as propostas sejam detalhadas e aprofundadas.
O que sua empresa deve fazer agora
Diante deste cenário em evolução, a proatividade na gestão e no planejamento é fundamental. Sua empresa deve intensificar o monitoramento do debate político e das propostas econômicas que surgem das campanhas. É o momento de revisar e atualizar os cenários fiscais e regulatórios, considerando diferentes desfechos eleitorais e suas implicações. Uma análise de risco tributário e compliance se faz imperativa, avaliando como potenciais mudanças nas regras do jogo podem afetar custos, receitas e a estrutura operacional do seu negócio.
Recomendamos que as equipes financeiras e jurídicas se reúnam para mapear as principais vulnerabilidades e oportunidades que podem surgir. Isso inclui simular impactos de uma eventual reforma tributária, considerar as consequências de possíveis desinvestimentos estatais ou novas regras para concessões e parcerias público-privadas. Estar preparado significa ter planos de contingência e estratégias de adaptação, permitindo que sua empresa navegue com segurança em um ambiente de potencial transformação econômica e regulatória.
A consolidação das equipes econômicas nas campanhas eleitorais é um lembrete de que o futuro fiscal e regulatório do país está sendo moldado agora. Para CFOs, controllers e diretores financeiros, a vigilância e a capacidade de antecipação não são apenas virtudes, mas imperativos para garantir a perenidade e o crescimento de suas organizações em um cenário que, como sempre, promete desafios e oportunidades significativas.