A alocação estratégica de aliados do governo em relatorias-chave no Congresso Nacional, conforme noticiado, é um movimento político que merece a máxima atenção de CFOs, controllers e diretores financeiros. Em especial, a relatoria designada para o projeto que propõe o fim da escala de trabalho 6x1 não é apenas uma notícia política; é um indicativo claro de que mudanças significativas estão no horizonte da legislação trabalhista brasileira, com repercussões diretas e profundas nas finanças corporativas.
O que isso significa na prática
A escala de trabalho 6x1, amplamente utilizada em setores como varejo, serviços, segurança e indústria, permite seis dias de trabalho seguidos por um de descanso, otimizando a cobertura de turnos e minimizando o quadro de funcionários. Com a provável aprovação de uma nova legislação que restrinja ou elimine este modelo, as empresas verão sua flexibilidade operacional diminuir drasticamente. Isso pode significar a obrigatoriedade de adoção de regimes como o 5x2 ou, em alguns casos, o 12x36, com impactos diretos na gestão de jornadas e, consequentemente, nos custos com pessoal. A rapidez com que um relator alinhado ao Planalto pode conduzir o projeto sugere que o tempo para adaptação será escasso.
O impacto mais imediato será no custo de mão de obra. A necessidade de contratar mais funcionários para cobrir os mesmos turnos ou de pagar horas extras em maior volume resultará em um aumento substancial da folha de pagamento. Este acréscimo não se limita aos salários, mas se estende a todos os encargos sociais e trabalhistas (INSS, FGTS, férias, 13º salário), que são calculados sobre a base salarial. Para empresas que operam com margens apertadas e dependem da escala 6x1 para otimizar seus recursos humanos, o cenário exige uma revisão urgente de seus modelos operacionais e financeiros.
O que sua empresa deve fazer agora
Diante da iminência dessas mudanças, a inação não é uma opção. Sua empresa deve iniciar imediatamente um diagnóstico completo do impacto financeiro do fim da escala 6x1. Isso inclui mapear todos os colaboradores atualmente sob esse regime, projetar os custos de transição para modelos alternativos (5x2, 12x36), quantificar o aumento esperado na folha de pagamento e nos encargos, e avaliar a necessidade de novas contratações. É fundamental envolver os departamentos de RH, Operações e Jurídico para uma análise multifacetada.
Recomendamos a revisão de orçamentos e projeções financeiras para 2024 e 2025, incorporando esses novos custos. Avalie a possibilidade de renegociação de contratos com fornecedores e clientes para repassar parte desses aumentos, quando possível, ou de buscar eficiências operacionais em outras áreas para mitigar o impacto. É prudente, ainda, consultar sua assessoria jurídica para entender as minúcias das propostas legislativas e preparar a empresa para quaisquer ajustes em contratos de trabalho e acordos ou convenções coletivas. A proatividade na gestão de riscos e na elaboração de cenários é a chave para navegar neste ambiente de mudança regulatória.
Em um cenário de constante evolução legislativa, a capacidade de antecipar e adaptar-se é um diferencial competitivo. Acompanhar de perto o avanço deste e de outros projetos no Congresso, bem como entender as nuances do jogo político que os permeia, é parte integrante da gestão financeira e estratégica de qualquer empresa de porte médio ou grande no Brasil. Mantenha-se informado e prepare seu time para as transformações que virão.