O recente anúncio da Unicharm, multinacional japonesa do setor de higiene e cuidados pessoais, de priorizar a expansão nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, após registrar um crescimento global de 4,9% no primeiro semestre, transcende a mera notícia de mercado. Este movimento estratégico da gigante, com foco em mercados emergentes e subexplorados, serve como um poderoso indicativo para CFOs, controllers e diretores financeiros de médias e grandes empresas brasileiras. Ele não apenas valida o potencial de consumo e a emergência econômica dessas regiões, mas também sublinha a necessidade premente de revisitar estratégias de penetração de mercado, otimização logística e, crucialmente, planejamento tributário regional.
O que isso significa na prática para o seu negócio
A entrada ou a intensificação da atuação de um player do porte da Unicharm no Norte e Nordeste tem implicações multifacetadas. Para concorrentes diretos, significa uma reavaliação imediata de suas posições de mercado, estratégias de precificação, canais de distribuição e, inevitavelmente, uma pressão maior sobre margens. Para empresas de logística e cadeia de suprimentos, abre-se um leque de oportunidades, mas também um desafio para adaptar e expandir a infraestrutura em regiões que, historicamente, apresentavam maiores complexidades e custos operacionais. No âmbito fiscal, a movimentação para essas regiões exige um conhecimento aprofundado das especificidades de cada estado. As distintas alíquotas de ICMS, regimes especiais e, em alguns casos, incentivos fiscais estaduais (como os da Zona Franca de Manaus ou de programas de desenvolvimento regionais) podem ser um diferencial competitivo ou um gargalo de custos se não forem geridos adequadamente.
O que sua empresa deve fazer agora
Diante desse cenário, a proatividade é fundamental. Sugerimos algumas ações concretas para sua equipe financeira e estratégica:
- Revisão da Estratégia Tributária Regional: Conduza uma análise detalhada dos regimes fiscais em vigor nos estados do Norte e Nordeste. Avalie a possibilidade de otimização de créditos de ICMS, PIS/COFINS e outros tributos. Identifique potenciais benefícios fiscais que possam ser aproveitados para reduzir a carga tributária e impulsionar a competitividade, seja na produção, distribuição ou comercialização.
- Otimização Logística e da Cadeia de Suprimentos: Mapeie as rotas, custos de frete, prazos de entrega e a infraestrutura de armazenagem existente. Avalie a viabilidade de estabelecer novos centros de distribuição ou parcerias estratégicas que possam agilizar a entrega e reduzir custos em regiões de difícil acesso, considerando sempre o impacto fiscal da movimentação de mercadorias.
- Análise Competitiva e de Mercado: Monitore a atuação dos novos e antigos players. Compreenda as necessidades e o comportamento do consumidor local para adaptar seu portfólio de produtos ou serviços. Esteja preparado para ajustar estratégias de preço e marketing para manter ou ganhar participação de mercado.
- Fortalecimento do Compliance e Governança: A entrada em novas praças com regulações fiscais e comerciais distintas exige um robusto sistema de compliance para evitar contingências e garantir a conformidade com as leis locais, evitando multas e passivos desnecessários.
A expansão de empresas globais como a Unicharm para regiões menos exploradas do Brasil não é um evento isolado, mas um reflexo da busca por novas fronteiras de crescimento e da maturidade de outros mercados. Para as empresas brasileiras, é um sinal claro para a necessidade de um planejamento fiscal e estratégico mais ágil e adaptável. Aqueles que souberem antecipar os movimentos de mercado, compreender a complexidade tributária regional e investir em eficiência operacional estarão melhor posicionados para capitalizar as oportunidades emergentes e mitigar os riscos em um ambiente cada vez mais competitivo.