A afirmação do economista Samuel Pessoa de que “ricos também empobrecem” não é meramente uma constatação social, mas uma síntese perspicaz de dinâmicas macroeconômicas que impactam diretamente o mundo corporativo. Em um ambiente de alta volatilidade, inflação persistente, taxas de juros elevadas e, por vezes, instabilidade regulatória, a manutenção e valorização do patrimônio – tanto pessoal quanto corporativo – se tornam um desafio crescente. Não se trata apenas de perdas nominais, mas da erosão do valor real de ativos e da capacidade de compra, afetando desde o capital de giro até o valuation de grandes corporações.
O que isso significa na prática
Para CFOs, controllers e diretores financeiros, essa observação ressoa com urgência. A real desvalorização da riqueza impacta diretamente diversas frentes de uma empresa: pressão sobre as margens de lucro devido ao aumento de custos não acompanhado por reajustes de preços; a necessidade de maior capital de giro para manter o mesmo volume de operações; e a revisão do valuation de ativos e da própria empresa, dificultando operações de M&A ou levantamento de capital. Além disso, a instabilidade econômica frequentemente antecipa ou acelera debates sobre reformas tributárias que buscam redistribuir a carga fiscal, muitas vezes mirando o patrimônio, a renda do capital e os lucros, colocando uma pressão adicional no planejamento tributário estratégico.
O que sua empresa deve fazer agora
Diante desse cenário, a proatividade na gestão financeira e tributária é mais do que recomendada, é imperativa. Sua empresa deve intensificar o monitoramento das variáveis macroeconômicas e suas projeções, realizando análises de sensibilidade para diferentes cenários. É crucial reavaliar e otimizar a estrutura de capital e a alocação de ativos, buscando instrumentos de proteção (hedges) contra a inflação e a desvalorização cambial, se aplicável. No âmbito tributário, o momento exige um planejamento fiscal ainda mais robusto e dinâmico. Isso inclui a revisão de regimes de tributação, a análise de benefícios fiscais aplicáveis, a estruturação de holdings para otimização patrimonial e sucessória (especialmente em empresas familiares) e uma rigorosa gestão de passivos fiscais para evitar contingências que possam comprometer a saúde financeira da companhia.
Em síntese, a advertência de Samuel Pessoa serve como um poderoso lembrete de que a gestão da riqueza, em qualquer escala, exige constante vigilância e adaptabilidade estratégica. A perpetuação do valor corporativo e do patrimônio dos acionistas em tempos voláteis depende de uma governança financeira e tributária impecável, capaz de antecipar riscos e capitalizar oportunidades em um cenário econômico em constante mutação. Investir em inteligência fiscal e em uma equipe financeira de ponta é o melhor caminho para proteger e fazer prosperar o capital da sua empresa no longo prazo.