Após um crescimento de 1,1% no primeiro trimestre de 2026, que trouxe um alento momentâneo, a economia brasileira começa a sinalizar uma clara desaceleração para o segundo período do ano. Este cenário, longe de ser surpreendente em um ano de transição e incertezas globais, provoca uma resposta governamental que merece a máxima atenção dos executivos financeiros. Observamos uma tendência de contra-ataque via medidas de estímulo, muitas delas com a inegável marca de "pré-eleitorais", o que exige de CFOs e diretores financeiros uma análise aprofundada, desmistificando o otimismo superficial e focando na substância e sustentabilidade das ações.
O que isso significa na prática
A prática de se valer de estímulos em momentos de arrefecimento econômico, especialmente em períodos que antecedem pleitos eleitorais, não é nova. Historicamente, tais medidas podem variar desde desonerações tributárias pontuais, passando por programas de refinanciamento de dívidas fiscais (REFIS), até a concessão de linhas de crédito subsidiadas ou incentivos setoriais. Para o mundo corporativo, isso se traduz em um ambiente de potencial volatilidade regulatória e, ao mesmo tempo, de oportunidades latentes. A urgência reside em discernir entre auxílios transitórios e mudanças estruturais que possam gerar ganhos de eficiência a médio e longo prazo, evitando a armadilha de estratégias pautadas apenas em benesses efêmeras.
O impacto direto para as empresas reside na necessidade de uma revisão contínua e ágil de seus planejamentos tributário e financeiro. A potencial abertura de programas de renegociação pode ser uma janela para sanear passivos antigos com condições mais favoráveis, melhorando o fluxo de caixa. Por outro lado, novas desonerações ou incentivos podem ser decisivos na composição de custos e na competitividade de determinados produtos ou serviços. Contudo, a natureza "pré-eleitoral" dessas medidas as torna sujeitas a revisões e até revogações pós-eleição, exigindo que qualquer aproveitamento seja feito com uma estratégia de saída bem definida e uma análise de risco minuciosa.
O que sua empresa deve fazer agora
Diante deste panorama, a proatividade é a palavra de ordem. Sua empresa deve intensificar o monitoramento do cenário macroeconômico e, crucialmente, das minutas e projetos de lei que materializam os "estímulos". É fundamental que a equipe financeira e tributária, em conjunto com assessores jurídicos especializados, analise cada proposta com ceticismo estratégico. Isso inclui:
- Mapeamento de Oportunidades: Identificar quais estímulos são aplicáveis ao seu setor e modelo de negócio (ex: desoneração da folha, reduções de IPI/PIS/COFINS, incentivos à inovação).
- Simulações de Cenários: Realizar projeções de fluxo de caixa e carga tributária considerando a adesão aos novos programas, mas também cenários em que tais benefícios sejam temporários ou revertidos.
- Gestão de Compliance: Assegurar que qualquer adesão a benefícios fiscais seja feita em estrita conformidade com a legislação, evitando riscos futuros de autuações e passivos contingentes.
- Otimização de Capital de Giro: Avaliar a possibilidade de otimizar o capital de giro através de novos programas de crédito ou de renegociação de dívidas tributárias.
A ação concreta mais relevante é estabelecer uma força-tarefa multidisciplinar, envolvendo as áreas financeira, jurídica e de compliance, para antecipar movimentos, modelar impactos e preparar respostas estratégicas. A agilidade na tomada de decisão pode ser um diferencial competitivo substancial, permitindo à empresa capturar valor enquanto seus concorrentes ainda analisam o cenário.
Em suma, o momento exige resiliência e adaptabilidade. Os estímulos, embora possam oferecer um fôlego no curto prazo, não substituem uma gestão fiscal robusta e um planejamento estratégico de longo prazo. O executivo financeiro sênior deve guiar sua empresa por entre as oportunidades e os riscos inerentes a estas flutuações, garantindo a solidez e a sustentabilidade do negócio, independentemente do ciclo político-econômico.