A percepção da população sobre a gestão do governo federal é um termômetro vital para o ambiente de negócios. Segundo o último levantamento Datafolha, o Presidente Lula registrou uma redução de sua avaliação negativa para 38%, enquanto a percepção positiva manteve-se em 32%. Embora não represente um salto expressivo na aprovação, o dado mais relevante para o mundo corporativo é a diminuição da polarização e a estabilização do quadro. Essa moderação na percepção negativa sinaliza um ambiente político ligeiramente menos turbulento, o que, para CFOs e diretores financeiros, pode se traduzir em um fator de menor incerteza na tomada de decisões de médio e longo prazo.
O que isso significa na prática para sua empresa
Uma maior estabilidade na avaliação governamental, mesmo que modesta, geralmente confere ao Executivo um pouco mais de capital político para avançar pautas importantes. No contexto atual brasileiro, isso é particularmente relevante para a discussão e aprovação de reformas estruturais. Um governo com menor rejeição pode encontrar menos barreiras para a tramitação de projetos como a Reforma Tributária, o que demanda atenção redobrada das empresas. Além disso, a previsibilidade política tem impacto direto no custo de capital, no apetite por investimentos estrangeiros e na confiança do consumidor e do empresariado, afetando desde a demanda por produtos e serviços até as projeções de fluxo de caixa.
Para as empresas, o impacto direto pode ser sentido em diversas frentes. Em um cenário de menor turbulência política, pode haver um ambiente mais propício para o destravamento de investimentos represados. A redução do risco político percebido tende a baratear o custo do dinheiro, influenciando taxas de juros de empréstimos e financiamentos. Adicionalmente, a pauta regulatória, que muitas vezes fica em segundo plano em momentos de alta instabilidade, pode ganhar tração. Setores específicos podem ser mais impactados por novas regulamentações ambientais, trabalhistas ou de governança. A capacidade de prever e se adaptar a essas mudanças é crucial para manter a competitividade e garantir a conformidade.
O que sua empresa deve fazer agora
Diante desse cenário de estabilização, é imperativo que as áreas financeira e jurídica das empresas reforcem sua capacidade de análise e adaptação. A recomendação concreta é intensificar o monitoramento não apenas dos indicadores econômicos, mas também do cenário político-legislativo. Realize simulações de impacto da Reforma Tributária em diferentes cenários de aprovação e implementação. Avalie sua estrutura de capital e endividamento à luz de um potencial ambiente de juros mais estáveis ou em queda, e revise seus planos de investimento e expansão. Fortaleça sua área de compliance para antecipar e se adequar a eventuais novas regulamentações que possam surgir de um governo com maior capacidade de articulação.
A percepção pública sobre o governo é um dos pilares da previsibilidade econômica. Para diretores financeiros e controllers, a leitura atenta desses movimentos é fundamental para mitigar riscos e explorar oportunidades. A estabilidade política não significa ausência de desafios, mas sim uma mudança na natureza dos riscos – de volatilidade súbita para a necessidade de adaptação estratégica a agendas em curso. Mantenha um olhar de longo prazo e uma estrutura ágil para navegar pelas transformações que se avizinham.