O recente estudo da TMF Group, que projeta o Brasil como o terceiro país mais complexo para se fazer negócios globalmente em 2026, não é meramente um dado estatístico, mas um alerta robusto para o ambiente corporativo. Historicamente, a complexidade regulatória e fiscal tem sido um dos maiores entraves à competitividade e ao crescimento empresarial no país. A ascensão a este patamar de forma tão proeminente sinaliza uma intensificação das barreiras já conhecidas, abrangendo desde a fragmentação legislativa e a volatilidade das normas tributárias até a morosidade burocrática e a intrincada legislação trabalhista.
O que isso significa na prática
Para o CFO e as equipes financeiras, de controladoria e compliance, essa posição no ranking se traduz em desafios tangíveis e diretos. Em primeiro lugar, há um aumento substancial dos custos de conformidade. Manter-se aderente à miríade de regulamentações exige investimentos contínuos em tecnologia, na capacitação de equipes internas e na contratação de consultorias especializadas. Este cenário eleva o risco de autuações e passivos fiscais e trabalhistas, mesmo para empresas com os mais altos padrões de governança, devido à própria subjetividade e multiplicidade de interpretações da lei. Em segundo lugar, a complexidade drena recursos valiosos que poderiam ser alocados em inovação, expansão ou otimização de processos, impactando diretamente a eficiência operacional e a lucratividade.
O que sua empresa deve fazer agora
Diante deste cenário projetado para 2026, é imperativo que as médias e grandes empresas brasileiras, lideradas por seus CFOs, adotem uma postura proativa e estratégica. Recomenda-se uma revisão abrangente dos processos de compliance fiscal, contábil e trabalhista, buscando identificar pontos de fragilidade e otimização. O investimento em tecnologias de automação e inteligência artificial para a gestão fiscal e regulatória não é mais um diferencial, mas uma necessidade para minimizar erros e garantir agilidade na adaptação às constantes mudanças. Além disso, a manutenção de um canal constante com consultores jurídicos e tributários especializados é fundamental para um monitoramento preditivo das alterações legislativas e para a construção de planos de contingência robustos, mitigando proativamente os riscos e custos associados à complexidade.
Em suma, a posição do Brasil como um dos países mais complexos para negócios exige dos líderes financeiros uma visão de longo prazo e uma capacidade de adaptação contínua. Não se trata apenas de reagir às mudanças, mas de antecipá-las e construir estruturas corporativas resilientes. Embora a Reforma Tributária possa trazer simplificações em algumas frentes no futuro, a realidade imediata e projetada exige vigilância e investimento estratégico na gestão da complexidade. Aquelas empresas que investirem proativamente em governança, tecnologia e expertise terão uma vantagem competitiva significativa, transformando um desafio em uma oportunidade de diferenciação e eficiência.