O desempenho financeiro da Biomm no primeiro trimestre de 2024, com um lucro de R$ 9,7 milhões e um impressionante salto de 134% na receita, impulsionado principalmente pelas vendas de insulina, transcende a mera notícia de mercado. Para CFOs, controllers e diretores financeiros, esses números sinalizam não apenas a resiliência e o potencial do setor farmacêutico brasileiro, mas também um catalisador para uma reavaliação profunda das estratégias fiscais e operacionais. Em um ambiente de rápida expansão, a gestão tributária deixa de ser uma função meramente acessória para se tornar um pilar estratégico que pode amplificar ou erodir resultados.
O que isso significa na prática para a gestão tributária
A aceleração na receita e no lucro, como demonstrado pela Biomm, tem implicações diretas e complexas para a estrutura tributária de qualquer organização. No setor farmacêutico, em particular, a venda de produtos como a insulina envolve um arcabouço fiscal específico, com potenciais benefícios de PIS/COFINS (alíquota zero para certos medicamentos), ICMS diferenciado e regimes especiais de importação e comercialização. O crescimento exponencial da receita, embora positivo, exige uma análise minuciosa para garantir que a empresa esteja maximizando créditos fiscais, aproveitando integralmente os incentivos disponíveis (a exemplo da Lei do Bem ou PDTIS para P&D) e, crucialmente, que seus processos de compliance estejam robustos o suficiente para suportar o maior volume de operações e o consequente escrutínio fiscal. Um crescimento não acompanhado por um planejamento tributário ágil pode resultar em uma carga fiscal desnecessariamente elevada ou em riscos de autuação por falhas de conformidade.
O que sua empresa deve fazer agora
Diante de um cenário de crescimento ou de projeção de expansão, como o ilustrado pela Biomm, é imperativo que sua equipe financeira e tributária adote uma postura proativa. Primeiramente, realize uma auditoria fiscal abrangente para identificar oportunidades de recuperação de créditos passados e de otimização da carga tributária corrente, especialmente em PIS/COFINS sobre insumos e benefícios de ICMS. Segundo, avalie a adequação de seus sistemas de gestão fiscal e contábil, garantindo que estejam preparados para lidar com um volume crescente de transações, com a precisão exigida pela Receita Federal e pelos órgãos estaduais. Terceiro, invista em planejamento tributário estratégico, buscando a aplicação de regimes especiais e incentivos que se alinhem à sua cadeia de valor e aos seus produtos. Isso inclui a análise de estruturas de importação, distribuição e venda que possam gerar eficiências fiscais dentro da legalidade. Não negligencie a importância da governança tributária para mitigar riscos.
A experiência da Biomm serve como um lembrete valioso de que o sucesso comercial exige uma gestão tributária igualmente robusta e estratégica. Ao invés de apenas reagir aos resultados, CFOs e diretores financeiros devem antecipar os desafios fiscais do crescimento, transformando a área tributária de um centro de custos em um motor de valor. O cenário regulatório e fiscal brasileiro é dinâmico; manter-se atualizado e contar com assessoria especializada é fundamental para navegar essa complexidade e garantir a sustentabilidade do crescimento a longo prazo.
Fonte: https://www.infomoney.com.br/mercados/biomm-biom3-resultados-primeiro-trimestre-2026/