A recente pesquisa Quaest que indica uma elevação na aprovação da gestão federal, de 43% para 46% entre abril e maio, traz um dado que, à primeira vista, poderia sinalizar maior estabilidade. Contudo, para o cenário corporativo brasileiro, a notícia mais relevante não reside apenas nesse percentual, mas na menção de que a disputa política permanece acirrada. Esse dinamismo, impulsionado por grupos como independentes e mulheres, reflete um ambiente de elevada volatilidade. Para CFOs, controllers e diretores financeiros, essa flutuação contínua e a polarização subjacente são muito mais do que meras manchetes: são variáveis cruciais que impactam diretamente a previsibilidade regulatória, a política fiscal e o clima de investimentos.
O que isso significa na prática para as corporações
A percepção de um governo que, apesar de uma ligeira melhora em sua aprovação, ainda enfrenta uma disputa intensa e flutuante na opinião pública, traduz-se em incerteza para a formulação e execução de políticas de longo prazo. Isso é particularmente sensível em áreas como a reforma tributária, o arcabouço fiscal e a regulamentação de diversos setores. Um governo com base de apoio que oscila pode ter maior dificuldade em aprovar medidas impopulares, porém necessárias para a saúde fiscal do país, ou pode ser compelido a adotar políticas de curto prazo com menor foco em eficiência e mais em apelo popular. Essa dinâmica afeta diretamente a capacidade das empresas de planejar investimentos, gerenciar riscos e otimizar sua estrutura tributária.
O impacto direto para as empresas é multifacetado. No âmbito fiscal, a reforma tributária, em tramitação, torna-se um ponto de atenção ainda maior. A incerteza política pode atrasar sua aprovação, alterar substancialmente seu escopo original ou até mesmo inviabilizar pontos cruciais para a desburocratização e simplificação. Além disso, a pressão por resultados orçamentários pode levar o governo a buscar outras fontes de receita, aumentando o risco de revisão de incentivos fiscais, elevação de alíquotas em impostos específicos ou a criação de novas contribuições. No cenário regulatório, setores como energia, saneamento e infraestrutura podem enfrentar maior instabilidade nas regras do jogo, impactando projeções de longo prazo e a atratividade de novos projetos.
O que sua empresa deve fazer agora: Resiliência e Monitoramento Ativo
Diante desse panorama, a ação mais prudente para as médias e grandes empresas é fortalecer a resiliência e a capacidade de adaptação. Recomenda-se um monitoramento ativo e contínuo do cenário político-econômico, não apenas no que tange a indicadores macroeconômicos, mas também às pesquisas de opinião e aos debates no Congresso Nacional. A equipe financeira, em conjunto com o jurídico-tributário, deve estar preparada para cenários múltiplos, revisando constantemente as projeções de fluxo de caixa, o planejamento tributário e as estratégias de gestão de riscos.
Concretamente, sua empresa deve priorizar a revisão de orçamentos e projeções financeiras com base em cenários mais conservadores e agressivos, avaliando o impacto de potenciais mudanças fiscais ou regulatórias. É imperativo intensificar a análise de contencioso tributário, antecipando possíveis alterações jurisprudenciais ou normativas que possam afetar litígios existentes ou gerar novos. Por fim, o fortalecimento dos controles de compliance e a busca por otimizações fiscais dentro da legislação vigente são passos cruciais para garantir a saúde financeira e a conformidade em um ambiente de negócios cada vez mais complexo e imprevisível. A capacidade de navegar por essas águas turbulentas será um diferencial competitivo no longo prazo.