O alerta de Pedro Jobim, economista-chefe da Legacy Capital, sobre a possibilidade de uma recessão global desencadear perdas "inéditas" em ativos, ressoa com gravidade particular nos conselhos e diretorias financeiras das médias e grandes empresas brasileiras. Não se trata apenas de uma flutuação cíclica, mas de um prognóstico que aponta para uma reconfiguração potencialmente drástica no valor de portfólios e balanços patrimoniais. Este cenário exige uma análise aprofundada, indo além das projeções macroeconômicas para entender suas ramificações diretas na saúde financeira e operacional do seu negócio.
O que isso significa na prática: Impactos para a Governança Financeira e Fiscal
Para CFOs e diretores financeiros, a materialização de um cenário de perdas ativas inéditas implica desafios multifacetados. Primeiramente, a deterioração do valor de mercado de investimentos, sejam eles participações em outras empresas, títulos, imóveis ou até mesmo ativos intangíveis, pode gerar a necessidade de testes de recuperabilidade (impairment), com impactos diretos no resultado contábil e, consequentemente, na base de cálculo de impostos como o IRPJ e a CSLL. Além disso, a redução da liquidez do mercado pode dificultar a captação de recursos e o refinanciamento de dívidas, elevando o custo de capital. Do ponto de vista tributário, a reavaliação de ativos e passivos, a gestão de prejuízos fiscais e a reestruturação de dívidas passariam a ter um peso ainda maior na estratégia da companhia.
Preparando a Defesa: Estratégias Essenciais para o Cenário Recessivo
Diante dessa perspectiva, a proatividade é fundamental. Sugerimos que sua equipe financeira e jurídica inicie ou intensifique as seguintes ações: 1. Reavaliação de Portfólios e Cenários: Analise o risco de impairment em todo o portfólio de ativos, incluindo investimentos, estoques e contas a receber. 2. Otimização da Estrutura de Capital: Avalie a capacidade de serviço da dívida e explore opções de renegociação ou hedge contra flutuações. 3. Planejamento Tributário Robusto: Monitore a geração de prejuízos fiscais para planejar sua compensação futura. Estude as implicações tributárias de eventuais reestruturações societárias, desinvestimentos ou aquisições em um ambiente de baixo valor de mercado. 4. Gestão de Fluxo de Caixa: Reforce a projeção e a gestão de caixa, buscando maior eficiência operacional e contenção de despesas não essenciais. 5. Revisão de Contratos e Compliance: Assegure que os contratos de longo prazo e as cláusulas de covenants financeiros estejam alinhados com cenários adversos, e que a empresa mantenha um compliance fiscal irretocável para evitar contingências futuras.
Em tempos de incerteza, a capacidade de antecipar riscos e implementar estratégias defensivas e adaptativas é o que diferencia as empresas resilientes. O cenário de perdas inéditas, embora desafiador, também pode ser uma oportunidade para revisar fundamentos, otimizar processos e fortalecer a governança. A colaboração entre as áreas financeira, jurídica e de gestão de riscos será determinante para proteger o valor da companhia e posicioná-la para a recuperação futura.
Fonte: https://www.infomoney.com.br/onde-investir/pedro-jobim-recessao-perdas-ineditas-investimentos/