A proposta de um governo de transição, com o objetivo primário de “arrumar a casa” fiscal, é um eufemismo para um período de medidas impopulares e economicamente contracionistas no curto prazo. Para o C-level, a mensagem é clara: o foco do próximo governo não será o estímulo ao crescimento, mas a busca por credibilidade fiscal. Na prática, isso se traduz em duas frentes de atuação com impacto direto nas empresas: revisão de despesas, incluindo subsídios e benefícios fiscais, e, principalmente, aumento da arrecadação.
O debate sobre a Reforma Tributária ganhará contornos ainda mais pragmáticos e urgentes. A discussão deixará de ser apenas sobre simplificação e passará a ser sobre potencial arrecadatório. Setores hoje menos onerados, como serviços, e regimes especiais, como o Simples Nacional, estarão sob escrutínio intenso. A reoneração da folha de pagamento e a eliminação de isenções setoriais são cartas que estarão na mesa. A promessa de neutralidade na carga tributária total se torna frágil diante da necessidade de caixa do governo.
Por que isso importa para sua empresa?
O cenário exige que o planejamento estratégico transcenda o otimismo de longo prazo e incorpore a volatilidade do curto prazo. Primeiro, o risco tributário aumenta exponencialmente. A área fiscal deve deixar de ser um centro de custo para se tornar uma unidade de inteligência estratégica, modelando cenários de aumento de alíquotas e perda de benefícios. Segundo, a previsibilidade para investimentos (CAPEX) diminui. Decisões de expansão podem ser postergadas diante da incerteza sobre o custo fiscal futuro de uma nova operação ou contratação. Terceiro, a gestão de caixa se torna crítica. Um ambiente de crédito mais restrito e uma carga tributária potencialmente maior exigirão uma disciplina financeira rigorosa para navegar a transição. O sucesso será das empresas que se prepararem para o aperto, posicionando-se para colher os frutos quando a estabilidade macroeconômica for restabelecida.