A projeção de Mansueto Almeida, economista renomado, sobre um possível ajuste fiscal em 2027, traz um balde de água fria para o otimismo de curto prazo e, mais importante, acende um alerta sobre a complexa dinâmica entre economia e política no Brasil. A premissa central de Mansueto não é sobre a necessidade do ajuste — que é quase consensual entre especialistas — mas sobre sua viabilidade e, crucialmente, seu timing. Ao adiar a expectativa de um equilíbrio fiscal robusto para depois das eleições presidenciais de 2026, ele sublinha a predominância da lógica eleitoral sobre a urgência macroeconômica, introduzindo um elemento de incerteza prolongada que impacta diretamente o ambiente de negócios.
Este cenário de adiamento e dependência política não é um mero detalhe para sua empresa. A incapacidade ou a falta de vontade do governo em endereçar o problema fiscal de forma contundente e antecipada significa que o país continuará operando sob um regime de alto prêmio de risco. Isso se traduz em taxas de juros mais elevadas por mais tempo, maior custo de capital para investimentos, volatilidade cambial e pressões inflacionárias persistentes. A percepção de que as regras fiscais, como o novo arcabouço, podem ser flexibilizadas ou postergadas a depender do humor político, corrói a confiança de investidores e de empreendedores, impactando diretamente o planejamento de longo prazo, a alocação de recursos e as estratégias de expansão de capital.
Por que isso importa para sua empresa?
Para o C-level, a mensagem é clara: a estabilidade fiscal é o pilar para um ambiente de negócios previsível. Sem ela, a gestão de risco se torna mais desafiadora e dispendiosa. O atraso no ajuste fiscal implica na necessidade de revisitar e recalibrar orçamentos e projeções, incorporando cenários de juros altos, inflação volátil e, possivelmente, um ambiente de crédito mais restrito. A gestão do caixa e da dívida deve ser ainda mais conservadora, buscando otimizar estruturas de capital e mitigar exposições. Do ponto de vista tributário, a pressão por arrecadação, diante de um desequilíbrio fiscal persistente, pode levar a um aumento da carga ou à intensificação da fiscalização, exigindo das empresas um rigor ainda maior na conformidade e no planejamento tributário estratégico.